Novo pronto atendimento de saúde mental registra quase 5 mil atendimentos em 2 meses em Ribeirão Preto, SP

Saúde mental: Ponto de atendimento registra 70 pedidos de ajuda por dia em Ribeirão Preto Nicole Santos Neves, de 17 anos, não estava bem e decidiu buscar ajuda...

Novo pronto atendimento de saúde mental registra quase 5 mil atendimentos em 2 meses em Ribeirão Preto, SP
Novo pronto atendimento de saúde mental registra quase 5 mil atendimentos em 2 meses em Ribeirão Preto, SP (Foto: Reprodução)


Saúde mental: Ponto de atendimento registra 70 pedidos de ajuda por dia em Ribeirão Preto Nicole Santos Neves, de 17 anos, não estava bem e decidiu buscar ajuda para a tristeza e ansiedade que sentia. Encaminhada por uma UPA ao Pronto Atendimento de Saúde Mental (PAM) de Ribeirão Preto (SP), ela foi atendida por um psiquiatra. A adolescente disse ao g1 que o acolhimento já fez diferença e agora fará acompanhamento a cada 15 dias. (entenda abaixo) O caso de Nicole está entre os 4,8 mil atendimentos registrados pelo PAM nos dois primeiros meses de funcionamento. Inaugurada em 8 de junho, a unidade recebeu, no período, uma média de 67 pacientes por dia, segundo relatório de acolhimentos ao qual o g1 teve acesso. "Para aquela pessoa que está em sofrimento, as estatísticas não importam muito. O que importa é ter alguém ao lado, que seja um suporte e a ajude a procurar o melhor tratamento possível. Por isso nós estamos aqui", disse o psiquiatra Renan Maekawa, coordenador médico do PAM. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp Fachada do Pronto Atendimento de Saúde Mental (PAM), que funciona 24 horas em Ribeirão Preto (SP) Divulgação/ Prefeitura de Ribeirão Preto O PAM recebe moradores de Ribeirão Preto de todas as idades em situações de urgência ou emergência em saúde mental. O atendimento é pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e não exige agendamento nem encaminhamento de outra unidade. O serviço atende, entre outras situações, crises depressivas ou ansiosas agudas, sintomas psicóticos, agitação, alterações graves de comportamento, risco de suicídio e crises relacionadas ao uso, à intoxicação ou à abstinência de álcool e outras drogas. 'Quase voltei para casa' Nicole contou que aquela foi a primeira vez que reconheceu que precisava de ajuda e decidiu procurar uma solução. Mesmo depois de receber a orientação para ir ao PAM, a adolescente pensou em desistir durante o trajeto. Após a consulta, Nicole disse que se sentiu ouvida e percebeu uma preocupação dos profissionais em compreender o que ela enfrentava antes de avaliar a necessidade de medicação. “Foi a primeira vez que eu admiti que tinha um problema para realmente ir atrás de uma solução. De lá até aqui, eu quase voltei para casa, quase engoli a minha dor. Mas eu me senti bem. Eles se preocupam em te entender antes de tentar te medicar.” Para Nicole, o funcionamento durante 24 horas é um dos principais diferenciais do serviço porque uma crise de ansiedade pode acontecer quando outros locais de atendimento estão fechados. “Quando a tristeza pega, ela não pega de dia, enquanto você está indo trabalhar. Ela pega à noite, quando você está sozinho, quando está pensando. Por isso, a parte de ser 24 horas é o melhor.” Consultório onde os pacientes passam por avaliação médica no PAM de Ribeirão Preto Prefeitura de Ribeirão Preto Segundo Renan, depressão e ansiedade estão entre as principais demandas recebidas no PAM. Os primeiros levantamentos indicam uma procura maior entre as mulheres e o atendimento contempla todas as faixas etárias. Inaugurado em 8 de junho no antigo prédio da UBDS do Quintino Facci II, o PAM funciona todos os dias da semana. Segundo a prefeitura, é o primeiro pronto atendimento brasileiro neste formato. Renan explica que o diferencial está em oferecer uma estrutura semelhante à de uma UPA, mas destinada exclusivamente às urgências e emergências em saúde mental. “Ele é o primeiro pronto atendimento nesse formato, parecido com uma UPA. A unidade foi reformada totalmente para prestar esse atendimento em saúde mental. Existem outros prontos atendimentos, mas muitos são associados a hospitais gerais ou hospitais psiquiátricos.” O psiquiatra Renan Maekawa, coordenador médico do PAM de Ribeirão Preto (SP) Murilo Corazza/g1 Crises de choro e noites sem dormir Fabiana Cristina Alves, de 50 anos, também procurou uma UPA durante uma crise de choro e foi orientada por uma médica a buscar o PAM. Ela não conhecia outro serviço destinado exclusivamente a esse tipo de atendimento. Enquanto aguardava a avaliação, Fabiana disse ao g1 que esperava ser ouvida e descobrir o que provocava as crises. “Eu pretendo ver se o pessoal me ouve, porque a gente nunca sabe o que acontece para dar essas crises. Quero poder resolver isso, porque é muito ruim. Mas só de estar aqui já me fez bem. Esse tipo de atendimento é muito importante, faz diferença para todo mundo.” A coordenadora administrativa do PAM, Josilaine Cristina, afirma que, antes da abertura da unidade, pacientes em crise procuravam as UPAs, que não têm uma equipe dedicada exclusivamente à saúde mental. “Na verdade, faltava em Ribeirão um serviço especializado no atendimento de saúde mental. Os pacientes procuravam as UPAs e, nas UPAs, não havia um profissional especializado para fazer esse atendimento. Hoje, com a abertura do PAM, a gente tem especialistas e uma equipe multiprofissional.” A aposentada Iraci dos Santos Papadopulos, de 81 anos, também chegou ao serviço após um encaminhamento da rede municipal. Ela acompanhava o marido, Clóvis, de 88 anos, que enfrentava dificuldades para dormir e sentia medo durante a noite. Depois do atendimento no PAM, Clóvis continuaria o acompanhamento na unidade de saúde do bairro. Segundo Iraci, buscar ajuda para o marido também poderia melhorar a rotina dela, que permanecia acordada para acompanhá-lo durante a noite. “É muito bom [o PAM], porque ele não dorme e não me deixa dormir. Fica com medo e pede para eu ficar com ele. Então, vai ser bom para nós dois. Eles já deram o remédio pra ele e agora vamos ver como vai ser” À esquerda, Fabiana Cristina Alves, que procurou atendimento no PAM; à direita, Iracema dos Santos Papadopulos, que acompanhou o marido na unidade Murilo Corazza/ g1 Como funciona o atendimento Ao chegar ao PAM, o paciente abre uma ficha, passa por uma triagem com classificação de risco e depois recebe atendimento médico. A equipe também conta com médicos clínicos, enfermeiros e terapeutas ocupacionais. A unidade tem 19 leitos, sendo 14 de observação, quatro de urgência e um de isolamento. Dependendo da avaliação, o paciente pode receber medicação no local e ser encaminhado para acompanhamento em uma unidade básica de saúde ou em um Centro de Atenção Psicossocial (Caps). Casos mais graves podem permanecer em observação ou ser regulados para internação hospitalar. Segundo Renan, a internação é considerada um dos últimos recursos e pode ser indicada quando há risco para o paciente ou para outras pessoas. A decisão é tomada a partir da avaliação da equipe multiprofissional. “A internação é um dos últimos recursos. Mas, nos casos em que o paciente coloca em risco a si mesmo ou terceiros, ela [internação] pode ser indicada para proteção do paciente, da família e das outras pessoas envolvidas no cuidado.” PAM dispõe de 19 leitos para observação, urgência e isolamento de pacientes Prefeitura de Ribeirão Preto Setembro Amarelo e o risco da automedicação O psiquiatra relaciona o aumento da procura tanto ao adoecimento da população quanto à maior circulação de informações sobre saúde mental. Segundo ele, o tema passou a receber mais atenção principalmente depois da pandemia. O médico alerta, no entanto, que vídeos e relatos encontrados na internet não devem ser usados para fazer diagnósticos ou escolher medicamentos sem avaliação profissional. “A informação ajuda, mas se automedicar com base no que se vê na internet é um perigo. O que outra pessoa descreve nem sempre é o que você está apresentando. Às vezes, a medicação pode piorar o quadro.” Durante o Setembro Amarelo, campanha de prevenção ao suicídio, Renan destaca que a conscientização deve ser acompanhada de informações sobre onde buscar atendimento e de apoio às pessoas que enfrentam sofrimento mental. “Para aquela pessoa que está em sofrimento, a estatística não importa muito. O que importa é ter alguém ao lado como suporte e ajudar a procurar o melhor tratamento possível.” Paciente é atendido na recepção do PAM antes de passar pela triagem Murilo Corazza/ g1 Onde procurar atendimento PAM de Ribeirão Preto 📍 Endereço: Rua Bruno Pelicani, 70, Quintino Facci II 🕐 Funcionamento: 24 horas por dia, todos os dias ☎️ Telefone: (16) 98264-0670 👥 Público: moradores de Ribeirão Preto de todas as idades 📄 Acesso: sem agendamento ou encaminhamento prévio O Centro de Valorização da Vida (CVV) também oferece apoio emocional gratuito e sigiloso pelo telefone 188, durante 24 horas. *Sob supervisão de Lucas Zanetti Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão Preto e Franca VÍDEOS: Tudo sobre Ribeirão Preto, Franca e região

Fale Conosco