'Vai começar a faltar comida, serviços, remédio': imigrantes venezuelanos no Brasil temem futuro de parentes
Migrantes da Venezuela relatam angústia por notícias de parentes após terremoto A gerente de recursos humanos Morela Arrivillaga, imigrante venezuelana que v...
Migrantes da Venezuela relatam angústia por notícias de parentes após terremoto A gerente de recursos humanos Morela Arrivillaga, imigrante venezuelana que vive na região de Campinas (SP), passou horas tentando contato com parentes que moram na área atingida pelos terremotos na Venezuela. Aos poucos, recebeu a confirmação de que todos estavam vivos, mas descobriu que uma das primas perdeu a casa. "Depois, eles foram respondendo que estavam todos bem. Aí ficamos sabendo que uma das nossas primas tinha perdido a casa. O prédio onde ela morava tinha caído, mas, graças a Deus, eles estavam fora", contou. Mesmo após o alívio inicial, a preocupação de Morela passou a ser com o que pode acontecer nos próximos dias, diante da falta de energia, falhas na comunicação e risco de desabastecimento nas áreas afetadas. "Eles estão bem, mas como é que vão ficar a partir de agora? Eu tenho uma tia que é idosa, mora numa casa de repouso e não tem como sair. Graças a Deus, ela está bem, mas vai começar a faltar comida, serviços, remédio. Então, é uma preocupação grande com o futuro." Gerente de recursos humanos Morela Arrivillaga, imigrante venezuelana que vive na região de Campinas (SP), passou horas tentando contato com parentes Reprodução/EPTV Momentos de desespero Os relatos recebidos pela família descrevem momentos de desespero durante os tremores. "As coisas pulavam muito. Aparentemente, foi um tremor de terra de mais de um minuto. O carro que estava na garagem começou a pular, começou a prensar a porta da frente, e eles não estavam conseguindo sair", disse. O empresário Jesus Eduardo Perez, imigrante venezuelano que mora em Vinhedo (SP) há 30 anos, também acompanhou à distância o drama dos parentes. Ele estava assistindo ao jogo entre Brasil e Escócia quando começou a receber centenas de mensagens da Venezuela. "Foi muito horrível. Caíram paredes, caíram portões. O que eles conseguiram fazer foi sair correndo para a rua, para não ficar dentro de casa", relatou. LEIA TAMBÉM: 'Renascemos das cinzas': imigrante relata apreensão após terremotos com mortos, mas destaca resiliência de venezuelanos Vídeos enviados pelos familiares mostram rachaduras em rodovias e registram o momento em que a terra começou a tremer. A família de Perez afirmou que, apesar de já ter vivenciado outros abalos, nunca tinha visto um tremor tão intenso. "Foi o mesmo susto. Como a minha sobrinha e meu irmão tinham falado, é a primeira vez que eles veem isso tão forte. Foi catastrófico, né?", afirmou. Os terremotos ocorreram em uma região conhecida pela intensa atividade sísmica, no limite entre as placas do Caribe e Sul-Americana. Segundo o professor do Instituto de Geociências da Unicamp Vinícius Meira, a movimentação entre essas placas explica a frequência dos tremores. "É uma zona de limite entre a placa do Caribe e a placa sul-americana, onde há várias falhas geológicas que se movimentam com uma frequência alta. É onde a gente vê esses sismos", explicou. O especialista afirmou que o abalo também foi registrado no Brasil por uma rede de monitoramento. Meira ressaltou ainda que ainda não existe tecnologia capaz de prever quando um terremoto vai acontecer. "É um processo que acontece no interior da Terra e em escalas difíceis de prever, assim como erupção de vulcão. A gente sabe que pode acontecer, que deve acontecer, mas não consegue precisar com o tempo que a gente precisaria para evitar desastres naturais", disse. O empresário Jesus Eduardo Perez, imigrante venezuelano que mora em Vinhedo (SP) há 30 anos, também acompanhou à distância o drama dos parentes Reprodução/EPTV Mais de 500 mortos Dois terremotos, de magnitudes 7,2 e 7,5, atingiram a Venezuela na noite de quarta-feira. Os tremores ocorreram a cerca de 160 quilômetros de Caracas e também foram sentidos em Manaus e em outras áreas do Norte do Brasil. Segundo o governo venezuelano, os dois terremotos deixaram ao menos 589 mortos e mais de 2,9 mil feridos. As equipes de resgate seguem procurando sobreviventes, e a expectativa é de que o número de vítimas aumente à medida que novas áreas sejam alcançadas. O governo brasileiro informou que dois brasileiros estão entre os mortos e anunciou o envio de uma aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB), com bombeiros e especialistas da Defesa Civil, para auxiliar nas operações de resgate. Pessoas olham para um edifício desabado no bairro de Altamira após terremoto na Venezuela. Frederico Parra/AFP VÍDEOS: tudo sobre Campinas e região Veja mais notícias sobre a região no g1 Campinas